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21 de março 2021

Quem é o Terapeuta Ocupacional e que falta faz na minha Instituição?

Patrícia Protásio | Gestora de Projeto
(Eu Consigo)

O terapeuta ocupacional (TO) ajuda os cuidadores a maximizar a gestão de tempo e fomenta a independência dos utentes, revelando-se um valioso aliado das ERPIs na implementação da abordagem centrada na pessoa.

A ERPIS deparam-se hoje com um incontestável desafio: como fomentar o bem-estar físico, mental e emocional dos utentes de forma adequada aos seus gostos e limitações, sem, contudo, exceder as normas institucionais, as exigências e os constrangimentos de tempo que decorrem do funcionamento da instituição.

Vivemos atualmente uma mudança de paradigma, com as melhores instituições a fazer vigorar uma abordagem centrada na pessoa. No entanto, é ainda vulgar encontrarmos a instituição centrada na rotina dos serviços, onde o foco está nas tarefas a desempenhar pelos profissionais, em vez de nas preferências do utente. Neste contexto, a pessoa a viver na instituição praticamente não tem oportunidades de participar em ocupações significativas para si, para além da higiene pessoal e alimentação.

A privação ocupacional ocorre quando a pessoa, mediante o contexto em que está inserida, é forçada ou constrangida a limitar ou deixar de ocupar o seu tempo como quer. A consequência dessa restrição é maior do que consideramos inicialmente quando refletimos sobre este assunto: a pessoa que não faz o que quer não é quem quer, não é si própria, perde a sua identidade e, com o tempo, vai simplesmente “desaparecendo”.

Se considerarmos as nossas rotinas e preferências, quem seríamos nós se não pudéssemos realizar as atividades inerentes aos papéis de pai, mãe, filho, religioso, ateu, fanático do futebol, rato de biblioteca, ativista político, amigo, atleta, funcionário, professor, artista, cozinheiro, entusiasta de teatro ou cinema… Quem seríamos se deixássemos de fazer aquilo que nos dá prazer, aquilo que no fundo nos define? Como nos descreveríamos aos outros? O que pensaríamos de nós mesmos? Sentiríamos competência, valorização da identidade, motivação para ultrapassar dificuldades? Vontade de viver?

Esta compreensão da intrínseca conexão entre ocupação e identidade é aquilo que move o TO e aquilo que devolve vida a uma instituição que se encontra, por vezes, excessivamente circunscrita dentro de uma ideia de rotina e padronização tão necessária quanto limitadora do bem-estar dos seus utentes.

Avaliando de forma profunda o historial de cada utente e procurando compreender os seus interesses, valores, rotinas, papéis, necessidades e limitações, este profissional estabelece, em conjunto com o utente e a sua família, objetivos terapêuticos e um plano de intervenção personalizado. Através do treino de atividades de vida diária, de treinos cognitivos, da promoção de competências motoras, da valorização das reminiscências, da identidade pessoal e da expressão socio-emocional, o terapeuta ocupacional permite que o utente tenha a oportunidade de experienciar as suas competências, promovendo o combate à privação ocupacional e dando um importante contributo para a adoção da abordagem centrada na pessoa por parte da instituição.

O trabalho que desenvolve no campo das atividades diárias é precioso, na medida em que não só promove a independência dos utentes, contribuindo para libertar os recursos humanos da instituição, como pode ajudar a treinar as equipas de ajudantes de ação direta no sentido de uma intervenção mais humanizada e potenciadora da estimulação cognitiva e sensorial dos mesmos.

 

O terapeuta ocupacional tem ainda as competências necessárias para colaborar no âmbito da prevenção e promoção da saúde e segurança dos utentes e das equipas nas ERPIS, por exemplo através do treino e adaptação de atividades que acarretam riscos para a saúde dos cuidadores, como por exemplo a realização de transferências e posicionamentos ou o apoio nas deslocações dos utentes. Nesta medida, a abordagem do terapeuta ocupacional promove a qualidade de vida do cuidador tanto quanto a do utente.

No entanto, muitas instituições ainda não usufruem dos benefícios do trabalho do TO, muitas vezes por desconhecimento acerca das suas funções. É urgente, hoje mais que nunca, começar a olhar o TO enquanto agente de mudança chave indispensável na instituição. Pelo menos, na instituição que se queira distinguida por critérios de excelência e por uma abordagem verdadeiramente centrada na pessoa.

 

Gostou deste artigo? Consulte o nosso artigo sobre “Chegou o momento de institucionalizar um idoso… e agora?

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